sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Papa quer julgamento rápido de ´padres monstros´

Membros da comissão do Vaticano que avaliarão denúncias de pedofilia serão nomeados rapidamente.
Por Franca Giansoldati

Fazer rápido. O papa quer fazer rápido. Não quer que passe muito tempo a partir do momento em que chega a Roma uma denúncia relativa a um caso de abuso sexual até uma sentença de condenação ou de absolvição.

Trata-se de situações complexas, espinhosas, marcadas por sofrimentos e muita dor, em que está em jogo a vida de muitas pessoas. É preciso clareza, tanto para as vítimas quanto para os culpados, mas para isso é preciso pôr a palavra "fim" em um processo canônico em tempos razoáveis.

O secretário de Estado, cardeal Parolin, tornou público um rescrito, uma espécie de decreto, com o qual Bergoglio instituiu um colégio especial, formado por sete membros, cardeais ou bispos, que têm o objetivo de ajudar a finalizar o trabalho arquivado, a acelerar os processos burocráticos, a reduzir o número de arquivos candentes que jazem em um canto da Congregação da Fé à espera de serem abertos.

O trabalho no escritório do promotor de Justiça nunca falta. Os membros da comissão recém-formada ainda não foram identificados, mas as nomeações certamente ocorrerão em pouco tempo. O papa tem pressa. Sabe-se que eles poderão ser escolhidos tanto dentro da Congregação da Fé, quanto fora, na Cúria ou nas dioceses.

Os recursos sobre os quais os sete cardeais irão concentrar as suas energias dizem respeito aos chamados "delicta graviora", isto é, os crimes contra a fé, os sacramentos e a moral. Os mais abomináveis.

A maioria deles são representados pelos abusos clericais contra menores. Os padres monstros.

O escritório, que até hoje se ocupou disso dentro da Congregação, estava notoriamente inundado em atrasos, o que despertava muitas queixas por parte dos episcopados, que queriam mais celeridade para definir situações embaraçosas ou escandalosas.

O rescrito entrará em vigor imediatamente e não modifica nem uma vírgula da lei-marco sobre os "delicta graviora", ou seja, o motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela, publicado em 2001 por João Paulo II, depois atualizado em 2010 pelo Papa Ratzinger.

Foi Ratzinger que o tornou mais rígido em relação à configuração inicial, considerada por ele pouco severa.

O Colégio instituído pelo Papa Bergoglio (que continua a linha Ratzinger de tolerância zero), vai trabalhar em total sintonia com a Congregação para a Fé, examinando os recursos pendentes, que, caso contrário, não conseguiriam ser resolvidos pela via ordinária. Também poderá examinar casos de pertinência do papa.

O atraso corre o risco de absorver energia demais e obstruir a justiça do outro lado do Tibre. "Eu acho – disse o porta-voz vaticano – que os recursos atualmente apresentados são quatro ou cinco por mês." Por si só, um número baixo, mas ao qual se somam os recursos de "muitíssimos membros do clero que se opõem" às sentenças por abuso.

A Congregação "deve examinar muito material", levando muito tempo. O crime da pedofilia esteve no centro de centenas de denúncias nesses últimos 20 anos.

Acusações

Antes dos anos 1990, parece que esse crime nunca havia sido denunciado ao Vaticano. "Acho que, entre 1975 e 1985, nunca chegou uma denúncia de casos de pedofilia à Congregação da Fé", afirmou Dom Charles Scicluna, hoje bispo em Malta, mas até o ano passado promotor de Justiça. "Só com o motu proprio de 2001 é que o crime de pedofilia voltou para a competência da Congregação."

Enquanto isso, nessa terça-feira, sobre a questão da pedofilia, insurgiram-se as vítimas dos padres pedófilos australianos, acusando o novo ministro das Relações Exteriores do Vaticano, Dom Paul Gallagher, há poucos dias núncio apostólico na Austrália, de não ter facilitado as investigações sobre alguns casos assustadores.

As vítimas (ao menos 400) o acusam de não ter colaborado para prender os responsáveis pelos crimes. "Ele se recusou a entregar o material aos magistrados que investigavam dois padres pedófilos cometidos na diocese de Newcastle."
Il Messaggero, 12-11-2014.
Fonte: http://domtotal.com/noticias/detalhes

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